Após vários anos tentando sermos pais, descobrimos que existia apenas uma pequena possibilidade de sermos pais biológicos. No primeiro momento foi uma situação muito triste, pois somos preparados para dar sequência ao ciclo da vida e não percebemos que pode existir outra forma de sermos pais, sem ser pelos métodos normais, mas conversamos e olhamos que existia, sim, outra forma que seria pela adoção. Quando pensamos na adoção esquecemos completamente a possibilidade de fazermos tratamentos, principalmente porque Tânia sempre teve um sonho, ter um filho adotivo e poder ajudá-lo.  A partir do momento que Marcelo soube desse sonho ele o acolheu com muito carinho…

Primeiramente fomos à busca de informação no fórum sobre adoção, já que acreditávamos que Deus havia nos escolhido para uma grande missão. Dia 06/04/07, sexta-feira santa, nos retiramos para falar com Deus e preencher o formulário para candidatarmos à adoção. A caminhada e a espera seria muito grande, pois a gestação tinha sido iniciada, mas não teria tempo para acabar. 

Espera… Uma gestação biológica costuma durar nove meses. A espera dos pais adotivos parece que é uma eternidade. Procuramos esquecer o calendário, passaram-se dois anos e exatamente no dia 06/04/09, coincidentemente também na semana santa, fomos chamados, pois nosso filho havia chegado. É maravilhoso o olhar de Deus, é uma alegria tão grande que por algum momento parecia que estávamos nas nuvens.

Bel, assistente do fórum, foi a pessoa mais significativa neste período de espera, pois ela nos acolheu e nos orientou. Foi também a Bel que nos ligou e nos esclareceu, explicando que o bebê tinha um problema de saúde. Nossa espera até foi menor em relação a outras pretendentes, em virtude de termos colocado no formulário da adoção que aceitaríamos criança com doença tratável. Nosso filho tem um problema chamado Encefalopatia Crônica não Progressiva, paralisia cerebral, que causa um pequeno atraso motor, comprometendo principalmente os movimentos do lado esquerdo, mas não prejudicando muito sua inteligência, a fala e a compreensão. Após entendermos como e o que era, foi nos perguntado se queríamos conhecê-lo, pois até então apenas explicações e leituras de exames e pareceres médicos. Quando ele chegou à sala da assistente social (Bel) não tivemos dúvida, ali estava o nosso filho, tão amado e esperado. Já éramos pais a partir dali, com o grande desafio de tentarmos reduzir ao máximo o atraso dele, pois sabemos que tudo que fizermos hoje será o que no futuro trará mais ou menos dificuldades para ele.

Quando o RENATO começou a fazer parte de nossas vidas foi uma corrida contra o tempo e nós, com muita coragem, abraçamos este bebê porque ele é o NOSSO FILHO, uma benção de Deus e ele sabe da dimensão que é o nosso amor por ele. Graças a Deus e ao esforço de todos, do Renato principalmente, ele deu um salto muito grande, evoluindo e aparentando cada vez menos ter o problema que tem, pois ele tem muita vontade de viver.

Nossa vida que era triste, totalmente pacata, transformou-se em luz, coragem, força e muita determinação em ajudá-lo. No início, ele necessitou de fonoaudiólogo, neuropediatra, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, urologista e ortopedista. Com a maior parte destes profissionais o tratamento será contínuo (talvez para uma grande parte da vida dele) na busca de melhoramento. Acreditamos na melhora plena e total, é uma alegria cada conquista do Renato, ele mesmo vibra ao alcançar um atarefa difícil. Nosso filho é maravilhoso, inteligente e muito amoroso. O Renato deu-nos um novo olhar perante a vida, educar é uma poesia para os olhos dos que a sabem ler, educação infantil é um conto de fadas para os que sabem viver.                                                     

O amor incondicional, seja de pai e mãe para filho, como de filho para pai e mãe (independente de biológico ou por adoção) faz com que tudo possa ser feito e conquistado. Somente podemos agradecer a Deus por ter-nos dado o filho Renato.

Marcelo Pupo, Tânia Pupo e Renato Nepomuceno Pinto Pupo, nosso filho.