Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de São Bento do Sul/SC
26 jun 2010
O encontro de estudo do mês de abril de 2010 abordou o tema da difícil escolha na hora da decisão pela adoção. Diferente da filiação biológica, a adoção abre possibilidades para definição do sexo, idade, cor, condição de saúde, se aceitam gêmeos ou irmãos.
O processo de inscrição no cadastro de adoção é, ao mesmo tempo, uma etapa burocrática e profundamente reflexiva. A pessoa ou casal se vê diante de perguntas e questões delicadas que irão definir o perfil da criança desejada. Afinal, tudo isso faz pensar sobre a motivação que fundamenta a decisão pela adoção, se desejo ou necessidade, e sobre o quanto esse projeto é partilhado pelo casal, pelos filhos já existentes e membros da família extensa.
De outro lado, há que se pensar na adoção enquanto direito da criança e do adolescente e, sob esse prisma, quanto mais exigentes forem os pretensos adotantes, mais difícil a colocação de crianças maiores, grupos de irmãos, crianças com necessidades específicas de saúde e de outras etnias.
Essas e outras questões foram dialogadas no encontro do mês de abril, que foi coordenado pela assistente social do Judiciário, Isabel Fuck Bittencourt. Para motivar a discussão, Isabel apresentou o vídeo “delicada escolha”, produzido pela Associação de Psicólogos e Assistentes Sociais do Judiciário do Estado de São Paulo. Os participantes foram divididos e dois grupos, de um lado os que aguardavam a adoção e de outro, os que já haviam se tornado pais. Após a exibição os dois grupos partilharam o olhar e as reflexões sobre o conteúdo do vídeo.
A troca e o diálogo são o melhor caminho para o amadurecimento e fortalecimento da adoção enquanto direito à família. Pretendentes à adoção trouxeram suas angústias e ansiedades, ao passo que os pais puderam partilhar suas experiências na superação de mitos e preconceitos, relatando as alegrias e dificuldades próprias da filiação.
A adoção de grupo de irmãos e de crianças com necessidades específicas de saúde foram trazidas ao grupo através da vivencia de duas famílias presentes.
25 jun 2010
Os profissionais responsáveis pela realização do Programa de Preparação à Adoção estiveram reunidos no dia 18 de junho para uma reunião com café. O enconro aconteceu nas dependências do Fórum e contou com a presença da assistente social e psicóloga do judiciário, do vice-presidente do Grupo Gerando Amor, Marcelo Pupo, e dos profissionais voluntários Robson dos Santos Mello e Marielle Sachweh.
A parceria entre o Poder Judiciário e o Grupo Gerando Amor foi reafirmada para a realização do Programa de Preparação, que já era realizado em São Bento do Sul, antes mesmo do seu caráter obrigatório. Uma iniciativa pautada no entendimento da importância desse momento de reflexão que antecede a adoção.
Na reunião, a assistente social do Fórum, Isabel Bittencourt, apresentou o projeto e o material gráfico do Programa de Preparação à adoção, que trazem parâmetros mínimos para a sua execução. O projeto foi elaborado por uma comissão constituída pela Corregedoria-Geral de Justiça/CEJA especialmente para esse fim. Isabel integrou essa comissão e pode contribuir com a experiência e trabalho já desenvolvido na Comarca.
O encontro serviu para estreitar os laços entre os profissionais, apreciar o novo material de trabalho e redefinir estratégias e dinâmicas de trabalho. O primeiro curso dentro da nova proposta será realizado no mês de agosto.
23 jun 2010
Elenice e Pupo com Luiz Schettini (centro)
O Grupo de Estudos e Apoio a Adoção Gerando Amor, representado pela presidente Elenice Lietz e pelo vice-presidente, Marcelo Pupo, participou nos dias 3, 4 e 5 de junho, no Estado do Mato Grosso do Sul, do XV ENAPA – ECONTRO NACIONAL DOS GRUPOS DE APOIO À ADOÇÃO.
“Através da troca de experiência de contextos diferentes, pudemos aprender que a prática dos grupos de adoção contribui em muito para garantir o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar, propiciando momentos de reflexão em suas reuniões sobre o propósito da adoção, sobre o perfil desejado e sobre o que é o ato da adoção”, destaca a presidente.
A participação no evento possibilitou aos membros da nova Diretoria a compreensão da grandiosidade que é o movimento de adoção nacional e a constatação de que tudo o que tem sido feito ao longo destes 11 anos de Gerando Amor está em sintonia com o trabalho desenvolvido pelos principais Grupos de Apoio à Adoção no Brasil. Falar a mesma língua e agir de forma conjunta é, sem dúvida, o maior desafio e incentivo para que possamos continuar com o nosso propósito.
Estamos todos ansiosos pelo ENAPA/2011, que acontecerá bem próximo de nós, na cidade de Curitiba\PR.
10 jun 2010
Após vários anos tentando sermos pais, descobrimos que existia apenas uma pequena possibilidade de sermos pais biológicos. No primeiro momento foi uma situação muito triste, pois somos preparados para dar sequência ao ciclo da vida e não percebemos que pode existir outra forma de sermos pais, sem ser pelos métodos normais, mas conversamos e olhamos que existia, sim, outra forma que seria pela adoção. Quando pensamos na adoção esquecemos completamente a possibilidade de fazermos tratamentos, principalmente porque Tânia sempre teve um sonho, ter um filho adotivo e poder ajudá-lo. A partir do momento que Marcelo soube desse sonho ele o acolheu com muito carinho…
Primeiramente fomos à busca de informação no fórum sobre adoção, já que acreditávamos que Deus havia nos escolhido para uma grande missão. Dia 06/04/07, sexta-feira santa, nos retiramos para falar com Deus e preencher o formulário para candidatarmos à adoção. A caminhada e a espera seria muito grande, pois a gestação tinha sido iniciada, mas não teria tempo para acabar.
Espera… Uma gestação biológica costuma durar nove meses. A espera dos pais adotivos parece que é uma eternidade. Procuramos esquecer o calendário, passaram-se dois anos e exatamente no dia 06/04/09, coincidentemente também na semana santa, fomos chamados, pois nosso filho havia chegado. É maravilhoso o olhar de Deus, é uma alegria tão grande que por algum momento parecia que estávamos nas nuvens.
Bel, assistente do fórum, foi a pessoa mais significativa neste período de espera, pois ela nos acolheu e nos orientou. Foi também a Bel que nos ligou e nos esclareceu, explicando que o bebê tinha um problema de saúde. Nossa espera até foi menor em relação a outras pretendentes, em virtude de termos colocado no formulário da adoção que aceitaríamos criança com doença tratável. Nosso filho tem um problema chamado Encefalopatia Crônica não Progressiva, paralisia cerebral, que causa um pequeno atraso motor, comprometendo principalmente os movimentos do lado esquerdo, mas não prejudicando muito sua inteligência, a fala e a compreensão. Após entendermos como e o que era, foi nos perguntado se queríamos conhecê-lo, pois até então apenas explicações e leituras de exames e pareceres médicos. Quando ele chegou à sala da assistente social (Bel) não tivemos dúvida, ali estava o nosso filho, tão amado e esperado. Já éramos pais a partir dali, com o grande desafio de tentarmos reduzir ao máximo o atraso dele, pois sabemos que tudo que fizermos hoje será o que no futuro trará mais ou menos dificuldades para ele.
Quando o RENATO começou a fazer parte de nossas vidas foi uma corrida contra o tempo e nós, com muita coragem, abraçamos este bebê porque ele é o NOSSO FILHO, uma benção de Deus e ele sabe da dimensão que é o nosso amor por ele. Graças a Deus e ao esforço de todos, do Renato principalmente, ele deu um salto muito grande, evoluindo e aparentando cada vez menos ter o problema que tem, pois ele tem muita vontade de viver.
Nossa vida que era triste, totalmente pacata, transformou-se em luz, coragem, força e muita determinação em ajudá-lo. No início, ele necessitou de fonoaudiólogo, neuropediatra, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, urologista e ortopedista. Com a maior parte destes profissionais o tratamento será contínuo (talvez para uma grande parte da vida dele) na busca de melhoramento. Acreditamos na melhora plena e total, é uma alegria cada conquista do Renato, ele mesmo vibra ao alcançar um atarefa difícil. Nosso filho é maravilhoso, inteligente e muito amoroso. O Renato deu-nos um novo olhar perante a vida, educar é uma poesia para os olhos dos que a sabem ler, educação infantil é um conto de fadas para os que sabem viver.
O amor incondicional, seja de pai e mãe para filho, como de filho para pai e mãe (independente de biológico ou por adoção) faz com que tudo possa ser feito e conquistado. Somente podemos agradecer a Deus por ter-nos dado o filho Renato.
Marcelo Pupo, Tânia Pupo e Renato Nepomuceno Pinto Pupo, nosso filho.