Gerando Amor

Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de São Bento do Sul/SC

Arquivo de agosto de 2008

Cadastro Nacional

O Cadastro Nacional de Adoção foi criado pela Resolução 54 do Conselho Nacional de Justiça -CNJ em 29/04/2008, com efeitos a partir de sua publicação, em 07/05/08. O Comitê Gestor de Implantação do Cadastro Nacional tem 180 dias para implantá-lo, a partir da data de sua publicação.

O cadastro nacional é uma ferramenta criada para auxiliar  os juízes das varas da infância e da juventude na condução dos procedimentos de adoção.  É um sistema de informações, via internet, hospedado nos servidores do CNJ, que consolida os dados de todas as crianças e adolescentes em condições de serem adotados e de pretendentes habilitados para adoção. O CNJ tem por objetivo agilizar os processos de adoção por meio do mapeamento de informações unificadas.  O Cadastro irá possibilitar ainda a implantação de políticas públicas na área.

Em Santa Catarina, O Tribunal de Justiça continuará a usar o sistema existente, o CUIDA – Cadastro Único de Adoção e Abrigo, assegurada a migração dos dados para o Cadastro Nacional de Adoção.
Os pretendentes que se habilitarem a partir da implantação do CNA somente poderão ser inseridos pela Comarca do seu domicílio, evitando-se a duplicidade de inscrições. Uma vez habilitado na sua Comarca, esta habilitação vale para todos os Estados da Federação.

Para saber tudo sobre o Cadastro Nacional, acesse: http://www.cnj.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=4045

LEI Nº 12.010 (Lei Nacional da Adoção)

 Conheça a íntegra da Lei que dispõe sobre a adoção e sobre o aperfeiçoamento da sistemática prevista para garantia do direito à convivência familiar a todas as crianças e adolescentes, na forma prevista pela Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, Estatuto da Criança e do Adolescente. 

http://www.planalto.gov.br/ccivil/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12010.htm

A assistente social do Fórum, Isabel Bittencourt, a presidente do Grupo Gerando Amor, Elenice Lietz, seu marido Tomaz e o filho Izaías estiveram participando do 5 º Encontro Estadual de Grupos de Apoio à Adoção, que aconteceu nos dias 21 e 22 de agosto em Balneário Camboriú/SC.

O evento reuniu aproximadamente 700 pessoas, entre representantes de Grupos de Apoio á Adoção – GEAA, profissionais, estudantes, operadores de direito e comunidade em geral interessada no tema. Juízes e promotores contribuíram na discussão das questões relativas à adoção, bem como psicanalistas e assistentes sociais. “Sentimos falta de uma maior participação dos Grupos de Apoio à Adoção, enquanto protagonistas deste evento”, avaliou Elenice.

O Projeto de Lei da Adoção e o Cadastro Nacional de Adoção foram temas abordados durante o evento, que contou com a presença do Presidente da ANGAAD, Dr. Sávio Bittencourt e do membro do Comitê Gestor do Cadastro Nacional, Dr. Francisco, juíz da Infância e da Juventude da Comarca de Florianópolis.

O próximo encontro estadual será sediado pela Comarca de Gaspar.

CICLO DE DEBATES LATINO-AMERICANO

Ciclo de Debates Latino-Americano sobre Trabalho Social com Famílias de Crianças e Adolescentes
15 a 17 de setembro – Belo Horizonte-MG.

Inscrições e informações: www.social.mg.gov.br

 

PROGRAMAÇÃO

 

15/09 – Segunda-Feira

8h às 9h – Credenciamento / Café da Manhã

9h às 9h30min – Apresentação Artística:

Jovens Valores de Minas – Servas9h30min às 10h – MESA DE AUTORIDADES

10h às 10h30min – ABERTURA

Claudia Cabral – Associação Brasileira Terra dos Homens, Rio de Janeiro/RJ

Fernanda Martins – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, Belo Horizonte/MG

 

CONFERÊNCIA MAGNA:

10h30min às 12h30min – Política de Proteção no Plano Nacional de Proteção e Defesa do Direito à Convivência Familiar e comunitária de Crianças e Adolescentes

• Maria do Carmo Brant – PUC, São Paulo/SP

• Leila Costa – FONCAIJ, Rio de Janeiro/RJ (*a confirmar) ou Dr. Murilo Diácono, Ministério Público do Paraná/PR

12h30min às 14h – Almoço

 

14h às 17h – O contexto latino americano e o direito a convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes – Análise situacional numa abordagem sociológica e normativa

Mediador: Claudia Cabral – Associação Brasileira Terra dos Homens, Rio de Janeiro/RJ

• Irene Rizzini – CIESPI/PUC-Rio, Rio de Janeiro/RJ

• Matilde Luna – Rede Latino-Americana de Acolhimento Família (Relaf), Argentina

• Maria Eugenia Villareal – ECPAT, Guatemala/ México

• Eda Aguilar – Rede Latino-Americana de Acolhimento Família (Relaf), Peru

17h às 18h – Fechamento do Dia

Depoimento de Famílias: Família atendida pela Terra dos Homens, Rio de Janeiro/RJ

Família atendida pela Casa Novella, Belo Horizonte/MG

 

16/09 – Terça Feira

 

TEMA: APOIO SÓCIO FAMILIAR EM BASE COMUNITÁRIA

8h às 8h30min – APRESENTAÇÃO ARTÍSTICA: Teatro do Grupo de Mobilização da Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social de Belo Horizonte – A Família

 

8h30min às 12h30min – Palestras

Mediador: Nívea Mônica da Silva – Promotora de Justiça de Defesa da Infância e Juventude de Belo Horizonte.

 

     

  • Maria Lúcia Afonso – UFMG, UFSJ, Consultora de programas sociais – Apoio Sócio Familiar em base comunitária.
  •  

• Maria Albanita Roberta – Subsecretaria de Assistência Social – A experiência do SUAS no estado de MG

• Francis Belmar – SENAME, Chile.

• Simone Moreira – Defensora Pública da Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Estado do Rio de Janeiro/RJ

 

12h30 às 14h – Almoço

14 às 17h – Ciclos de Debates: Trabalhos preventivos voltados para famílias

Grupo 1: Projetos comunitários centrados na família

Mediadora: Vânia Tardin de Castro – Secretaria de Estado do Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social do Espírito Santo, membro do GT Nacional

Erlia Esteves – Árvore da Vida, Betim/MG

Marcelo Mourão – Coordenador Programa BH Cidadania Belo Horizonte/ MG

Eunice da Conceição Fernandes – CREAS Coroadinho, São Luis/MA

Juliana Aun – PUC Minas, Belo Horizonte/MG

 

Grupo 2: O trabalho social com família no contexto da Educação

Mediadora: Maria Beatriz Guimarães – ELOS, membro do GT Nacional

Emília Andrade Paiva – Programa Poupança Jovem / SEDESE, Belo Horizonte/MG

Janini Riquelme – Projeto FICA, Foz do Iguaçu/PR

     

  • César Calegari – Presidente Conselho Nacional de Educação, Secretario Municipal de Educação de Taboão da Serra ( SP)
  •  

 

Grupo 3: Tema: Saúde

Mediadora: Maria de Jesus Bonfim Carvalho – Fundação Municipal da Criança a Assistência Social de São Luis, membro do GT Nacional São Luis/MA

Maria Luisa Pereira Ventura – CREN, São Paulo/SP

Veronika Molina – Nutrição Afetiva no Instituto de Centro América y Panamá – Guatemala ( a confirmar)

Vera Cordeiro – Associação Saúde Criança Renascer, Rio de Janeiro/RJ

Cristina – Coordenadora Sobreviver – UNICEF

 

Grupo 4: A inclusão da família nos espaços de Cultura, esporte e lazer e geração de renda

Mediadora: Úrsula Lehmkuhl Carreirão – Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda Gerência de Proteção Social Especial de Santa Catarina, membro do GT Nacional

Beatriz Azeredo – Instituto Desiderata, Rio de Janeiro/RJ.

Elenice Matos – Reciclando Oportunidades – SEDESE/CDM, Bacia do São Francisco/MG.

     

  • Irmão Mesquita – Coordenador Nacional do Centro Juvenil Salesiano.
  •  

. 17h às 18h – Fechamento do Dia

 

8h às 12h – Importância do trabalho preventivo e de reintegração de famílias de crianças em situação de risco

Mediador: Andréa Funchs – Doutoranda na UNB e professora UNA

Anna Michellini – Familia Materna, Itália.

Claudia Cabral – Associação Brasileira Terra dos Homens

Fernanda Martins – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, Belo Horizonte/MG

Esther Dias Cruvinel – Defensora Pública, Brasília/DF 12h30min às 14h – Almoço

 

14h às 17h – Ciclos de Debates: Trabalhos preventivos voltados para famílias

Grupo 1: Reintegração para crianças em situação de rua

Mediador: Eliane Benício – Superintendente de Planos e Projetos Específicos

Eliane Rodrigues – Projeto Axé, membro do GT Nacional

Bernadeth de Lourdes Gondim – Instituto de Assistência Social e Cidadania de Recife, membro do GT Nacional

Paulo Afonso Sampaio de Lima – Galera Nota Dez, Manaus/AM

     

  • Eliane Quaresma – Programa Miguilim, Belo Horizonte/MG
  •  

 

Grupo 2: Trabalho social com famílias de crianças institucionalizadas

 

Mediador: Marilene Cruz – Frente de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente de Minas Gerais, Belo Horizonte/MG

• Edson Neris Bahia – Casa Novella, Belo Horizonte/MG

• Alice Duarte Bittencourt – Amigos de Lucas, Porto Alegre/RS

• Dalva Azevedo Gueiros – Núcleo de Estudos Trabalho de Prevenção ao Abrigamento, São Paulo/SP

 

Grupo 3: Trabalho social com famílias nos casos de violência, abuso e exploração sexual

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Mediadora: Marcia Cristine Oliveira – Associação Curumins, membro do GT Nacional Fortaleza/CE

Beatriz Ricci – Pucminas

Ivan Ferreira da Silva – Projeto Promover, Vale do Jequitinhonha/MG.

Maria Eugênia Villareal – Ecpat – Guatemala/ México

  • Joelza Mesquita Pires – Serviço de Proteção à Criança/ RS

 

Grupo 4: Os programas de Família Acolhedora e a reintegração familiar

Mediadora: Isabel Fuck Bittencourt – Pode Judiciário e Grupo Gerando Amor/Santa Catarina, membro do GT Nacional

Janete Valente - Assistente Social, Mestre em Serviço Social, Terapeuta Familiar, Coordenadora da Proteção Social de alta complexidade da Prefeitura Municipal de Campinas, Membro do GT nacional.

Marco Mazzi – Família para Acolhida, Itália

Magui Palau – Enfoque Ninez, Paraguai

• Matilde Luna – Relaf, Argentina

 

17h às 18h – Encerramento

Vídeo de Sensibilização: Ônibus 174

Agradecimentos Finais: Claudia Cabral – Associação Brasileira Terra dos Homens, Rio de Janeiro/RJFernanda Martins – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, Belo Horizonte/MG

18h às 19h – Coquetel

 

 

 

 

CARTAZ DA CAMPANHA

A Campanha Faça Legal foi lançada pela primeira vez em 2003 e relançada em maio de 2008. O relançamento da campanha pretende retomar a proposta do projeto, de incentivar a adoção legal e oferecer um serviço de apoio e orientação às mulheres/mães que enregam ou pretendem entregar seu filho em adoção. A adoção legal, aquela feita através do cadastro de pretendentes à adoção, é uma forma de garantir proteção e segurança para as crianças e famílias.

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RESUMO DO PROJETO:

PROMOÇÃO
Juizado e Promotoria da Infância e Juventude
Grupo Gerando Amor
Conselho Tutelar


OBJETIVOS

Objetivo Geral:

Oferecer um serviço de apoio e orientação às mulheres/mães que entregam ou pretendem entregar seus filhos em adoção, favorecendo a reflexão sobre o processo de decisão e sobre a importância da entrega responsável.

Objetivos específicos:
- Incentivar a adoção legal como medida para evitar a devolução de crianças;
- Tornar acessíveis os serviços da Justiça da Infância e da Juventude para as mulheres que pretendem entregar seus filhos em adoção.
- Orientar as mães e a comunidade em geral sobre os procedimentos legais a serem seguidos na adoção e os riscos decorrentes das entregas irregulares de crianças;
- Promover estudos e reflexões sobre as situações sociais, familiares, econômicas e pessoais que envolvem o processo de decisão-entrega de um filho em adoção e as conseqüências para a criança de uma decisão mal elaborada.
- Organizar um registro informativo sobre a criança entregue em adoção e sua família biológica, com vistas a facilitar o resgate dos dados de saúde, quando necessários, e a busca pela sua identidade.
- Favorecer a aproximação do Juizado da Infância e da Juventude com a comunidade, desmistificando a idéia da Instituição distante, autoritária e punitiva;

POPULAÇÃO ALVO:
- mulheres que entregam ou pretendem entregar seus filhos em adoção;
- comunidade em geral

ESTRATÉGIA:
Articular a rede de serviços governamentais e não governamentais para a divulgação, orientação, identificação e encaminhamento das situações que envolvem mulheres que entregam ou pretendem entregar seus filhos em adoção.

METODOLOGIA:
Preparação
- revisão do projeto
- preparação do material publicitário
- reunião com os realizadores

Execução
- evento de lançamento oficial
- reuniões com os parceiros
- planejamento de ações conjuntas (saúde, educação e assistência social)
- visitas e distribuição do material publicitário
- encaminhamento das situações
- atendimento e apoio a gestantes com intenção de entregar seu filho
- acompanhamento após a decisão

PARCERIAS NO PROJETO
- Secretaria de Saúde
- Secretaria de Desenvolvimento Comunitário
- Secretaria de Educação
- GERED (Gerência Regional de Educação)
- Hospital e maternidade Sagrada Família
- Escolas particulares
- Univille (Universidade)
- Imprensa falada e escrita
Obs.
O projeto é aberto a novas adesões de parceiros.

PROCEDIMENTOS LEGAIS

Quem deseja adotar deve procurar a Assistente Social do Fórum para providenciar sua inscrição no Cadastro de Pretendentes à Adoção.

O Grupo de Estudos e Apoio à Adoção Gerando Amor também pode orientar e contribui na preparação dos pretendentes à adoção.

Quem pretende entregar um filho em adoção deve procurar a assistente social do Fórum para proceder a entrega de forma legal e com segurança. Esta pessoa será tratada com respeito e sigilo. Não é abandono entregar um filho para que seja adotado legalmente, caso você não se sinta em condições para criá-lo. No Fórum você estará encaminhando seu filho, com segurança, para uma família preparada para adotá-lo com amor.

TELEFONE PARA CONTATO: 3631-1906

Publicada em 26/07/2008 às 21h39m

Ruben Berta – O Globo

RIO – Em janeiro deste ano, João (nome fictício), de 5 anos, voltou a viver no Educandário Romão de Mattos Duarte, no Flamengo. Por cerca de um ano e meio ele esteve sob a guarda provisória de um casal de estrangeiros residente no estado do Rio que, após o longo período de convivência, desistiu de adotar o menino. O caso é o pano de fundo para uma iniciativa, inédita no estado, da Coordenadoria de Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente (Cdedica) da Defensoria Pública: a responsabilização judicial de pessoas que devolvem as crianças após um longo processo de adoção.

A criança não pode ser tratada como se fosse um objeto


- Nossa intenção não é desestimular a adoção, mas sim alertar para a importância desse processo ser realizado com responsabilidade. A criança não pode ser tratada como se fosse um objeto – diz a coordenadora da Cdedica, Simone Moreira.

Num levantamento preliminar feito nas últimas semanas, a equipe de defensores da Cdedica já conseguiu levantar 14 casos, ocorridos nos últimos 12 meses, de crianças devolvidas durante o processo de adoção. Seis deles já estão em avançado estágio de elaboração de ações de responsabilidade civil contra as pessoas que desistiram. A Defensoria Pública irá cobrar na Justiça indenizações por danos morais e materiais, e o foco está voltado contra aqueles que demoraram mais tempo para tomar uma decisão.

- Estamos analisando caso a caso. Há situações em que é razoável a alegação de falta de adaptação, mas isso precisa ser detectado logo. Não dá para esperar, um, dois anos, e devolver a criança, que já se sente com o status de filho. Essa rejeição provoca danos psicológicos profundos – complementa Simone.

Encontro de Setembro

O próximo Encontro Mensal de Estudo do Grupo Gerando Amor será no dia 03 de setembro, às 19:30h, nas dependências da churrasqueira da Igreja Matriz, no centro da cidade, em São Bento do Sul/SC.

Tema: Cadastro Nacional de Adoção e vídeo da Campanha Mude um Destino – 2ª edição
Coordenação: Isabel L. Fuck Bittencourt, assistente social Judiciário

No mesmo dia e horário acontece o encontro das crianças, no Projeto Espaço Nossas Crianças.

Participe!

LIVROS EM DESTAQUE

Como os pais devem agir para que os filhos sejam capazes de fazer boas escolhas na vida, cuidar bem de si próprios e dos seus relacionamentos, administrar o tempo para cumprir suas tarefas e, naturalmente, se divertir?
Cá entre Nós, de Maria Tereza Maldonado, esclarece essa e muitas outras questões que envolvem o complexo relacionamento entre pais e filhos.
O livro narra a experiência da adoção vivida pela própria autora, Françoise Laroche, mãe de quatro filhos, dos quais dois por adoção.
Vale a pena conferir o que a autora tem a dizer sobre o tema.

Este livro, escrito por Hália Pauliv, mãe adotiva e autora de diversas outras obras de sucesso, além de larga experiência como voluntária na área de adoção, nos traz uma gama de informações e esclarecimentos acerca de dúvidas, mitos, orientações e situações das mais diversas e relevantes ligadas ao tema da adoção. Podemos certamente afirmar que é uma das obras mais completas já publicadas, e sem dúvida é uma ótima indicação para quem deseja ou precisa se aprofundar no tema.

A adoção é realmente uma história com vários lados abrangendo mães abandonantes ou abandonadas, pais e filhos adotivos, a família extensa, profissionais e a sociedade em geral.
Envolve perdas, dores, lutos, renúncias, sonhos, fantasias, amor e esperança.
Do abandono à adoção há uma extensa trajetória com muitos meandros. Aspectos psicológicos, jurídicos, pedagógicos e, inclusive, teológicos, perfilam-se, mesclam-se e constituem os vários lados dessa história.
O presente livro, organizado por Luiz Schettini Filho e Suzana Sofia Moeller Schettini, numa intenção profilática, contém idéias e pensamentos de vários autores a respeito desses aspectos e insere a esperança de contribuir com novas reflexões a respeito do processo adotivo.

OFICINA SOBRE PATERNIDADE

O encontro mensal de estudo do mês de agosto contou com a colaboração do nosso querido Robson Mello, psicólogo, psicanalista mas, acima de tudo, amigo e pai.

Ele foi convidado para coordenar uma oficina sobre paternidade e o resultado não poderia ter sido melhor. Todos participaram com alegria, descontração e entusiasmo. Robson nos conta que ficou feliz com o convite, especialmente em virtude do fato de a função paterna ser um tema, e mais, uma função particular que muito o toca.” Amei falar com os pais, mães, famílias lá presentes. Na verdade, adorei, mesmo, foi poder falar um pouco sobre a minha maneira singular de reescrever o conceito de paternidade”.

Durante os trabalhos Robson propôs a formação de pequenos grupos para a realização da atividade: todos receberam uma cartolina e material para recortes, colagem e desenho. De um lado da cartolina deveriam decorar com recortes, desenho e frases o que significa, no entendimento do grupo, SER PAI. Do outro lado deveriam escrever um acróstico com a palavra PATERNIDADE. Durante os trabalhos, Robson interagia com observações, comentários e provocações. Ao final, todos os grupos se apresentaram e a construção coletiva foi surpreendente.

Pai é participar, amar, esperar, se envolver, ter esperança, cativar, brincar, chorar, ser carinhoso, se emocionar, acorde de madrugada, dividir as tarefas, educar, aceitar, ouvir, abraçar o mundo pelo filho… foram algumas das definições para o que significa SER PAI.

Após a oficina, Robson foi convidado a escrever algumas linhas sobre o trabalho realizado e ele nos presenteou com belas palavras, transcritas a seguir:

PATERNIDADE

Penso que a importância da proposta em coordenar uma oficina sobre a paternidade, em virtude da passagem do Dia dos Pais, diz respeito ao fato de que não só para os homens, para as mulheres e, também para a população em geral, se impõe como difícil saber o que significa, e qual deve ser, o agir de um homem quando na função paterna.

O que é ser um pai? Quais são as funções do pai? Quais podem ser as contribuições de um pai para com seu filho, e para com todos os membros de sua família?

Se nos apropriarmos dos conceitos que advêm da teoria psicanalítica de Freud a Lacan, vamos encontrar a definição da função paterna enquanto aquela atrelada ao fato de poder fazer surgir a marca da Lei – a Lei do Pai – no psiquismo do filho. A marca da Lei no psiquismo, também denominada por Nome-do-Pai, protege o filho contra a doença mental (impõe o tão falado limite!) e deixa fortes indícios para que o viver na vida em sociedade se dê sob as regras da cultura e da moral civilizada.

O pai deixa marcas significantes no psiquismo do seu filho (a) sem mesmo saber que o faz. Eis o grande desafio para que se consiga ser um bom pai! Mas, de todo modo, todos sabem – de uma forma ou outra! – quais devem ser os caminhos a serem seguidos para que, então, o melhor para toda a família possa se dar.

O uso da linguagem é de fundamental importância para que possa haver sucesso no exercício da função paterna. O lugar do pai deverá ser o do represente da lei, nunca o lugar de alguém que encarna a lei em si – esse último é, mesmo, o lugar do horror, lugar propicia o adoecimento psíquico para o filho, bem como para todos os outros integrantes da célula familiar.

O pai retira o sujeito do estágio da alienação ao corpo materno, lançando-o, para o seu bem, no estágio da separação: lugar de constituição do sujeito do desejo! E, por se tratar de uma função, pouco importa o seu aspecto corporificado e biologizante. Dito de outro modo: ser pai nada tem a ver com a doação da célula germinativa masculina (espermatozóide). Ser pai, mais que tudo, aponta para o desejo de um homem em querer assumir para si essa função.

Numa das funções do pais encontramos aquela que diz respeito ao fato de poder efetuar uma divisão simbólica, psíquica no corpo da mulher, a saber, ora ela será a mãe para os filhos; ora será a mulher do desejo do pai (esposa).

Se por um lado é algo que toca efetivamente ao homem, por outro, a função paterna recebe contribuições de todos da família para que se dê ao nível do melhor possível.

Ser pai é dar espaço para a fala do pequeno outro: dar espaço para que ele possa existir na sua diferença e singularidade. Diferenças e singularidades diante dele mesmo. Paternidade anda de mãos dadas com o ato augusto que aponta para o acatar da diferença que o outro o lança!

Daí a termos a idéia de que paternidade (função paterna) tem tudo a ver com o ato da adoção!

Ser pai é poder acatar a falta que sempre o outro faz sinalizar a partir dos seus atos.

A oficina sobre a função paterna pretendeu abordar um ponto desses temas e, sobretudo, falar do fato que o ser pai pode, e deve, sempre, andar de mãos dadas com o amor, a doçura, leveza, ternura e a singeleza. Paternidade é dar lugar para o feminino, sem que isso venha significar ser mulher!

Penso que a oficina, de forma dinâmica, criativa, envolvente e cativante, conseguiu abordar tais questões!

Feliz Dia dos Pais!

Robson Mello
Psicanalista
Voluntário do Grupo de Estudos e Apoio à Adoção

São Bento do Sul/SC

FOTOS DO ENCONTRO

ENTREVISTA COM HÁLIA P. DE SOUZA

O Fim de Dois Sofrimentos – Gazeta do Povo 27/07/08

Entrevista: Hália Pauliv de Souza, militante da causa da adoçãoPublicado em 27/07/2008 Reportagem: Vinicius Boreki

É lugar-comum afirmar que a relação entre pais e filhos começa durante a gestação. A generalização, no entanto, não enquadra quem opta por adotar uma criança, independentemente do motivo. Para essas pessoas, a gestação tem início justamente no momento em que se decide seguir por esse rumo, que, muitas vezes, é mais do que desconhecido.
No livro Adoção – Exercício da Fertilidade Afetiva (Editora Paulinos, 2008), que será lançado no dia 9 de agosto em Curitiba, a autora Hália Pauliv de Souza – que adotou suas duas filhas e é militante da causa – explica as origens do processo e aborda a preparação necessária para aqueles que desejam adotar uma criança.
Para Hália, é possível para qualquer um se transformar em pai sem necessariamente gerar um filho. “Existe uma gestação intelectual, psicológica e afetiva; de um lado existe uma criança abandonada e, do outro, um casal sem filhos. São dois sofrimentos que terminam em um só instante”, afirma a autora.
Na entrevista, Hália fala sobre o sua obra – um manual prático que mostra os benefícios da adoção, tentando espantar possíveis preconceitos pelo desconhecimento –, a evolução do processo adotivo no Brasil, os procedimentos adequados quando se escolhe trilhar esse caminho e a sua experiência com pais adotivos e crianças dispostos a encontrar um novo lar.
Seu livro é uma espécie de guia sobre adoção. Era o seu objetivo abordar questões sobre adoção de forma tão prática?
Sou por natureza muito prática. As pessoas gostam de informações breves e diretas. Consegui colocar tudo que os pretendentes perguntam no curso em que trabalho há 10 anos como voluntária. Há outros livros que tratam muito bem do tema, mas queria, e acho que consegui, condensar tudo de forma simples e objetiva.
Como alguém que acompanha adoções há 30 anos, houve evolução neste processo?
Felizmente, ocorreu uma grande evolução. O preconceito, que ainda existe, já foi enorme. As mães adotantes até faziam barriga postiça. A mudança aconteceu e, hoje, temos ONGs de adoção por todo país, encontros nacionais para discutirmos, a imprensa falando com menos sensacionalismo e mais conhecimento, o Dia Nacional da Adoção (25 de maio) e a licença-maternidade. Também já se entende que a criança vale mais do que a sua procedência.
Em geral, quais os maiores medos dos pais adotivos?
Os preparados não têm medos. Existem algumas dúvidas quanto ao tempo de permanência na instituição, como contar ao filho sobre a adoção e se quando crescer ele vai querer conhecer os pais consangüíneos. Chamo de consangüíneos no lugar de biológicos, porque todos são filhos biológicos de alguém, mesmo os adotados.
A senhora ministra um curso para pais que desejam adotar crianças. O que mais a impressionou nos candidatos durante esse tempo?
Em cada curso – já foram 64, perto de 2 mil pretendentes –, em cada rosto, vejo esperança, vejo pessoas com um coração amoroso, vejo ansiedade que o filho venha logo. Quando, no curso, levamos pessoas que já adotaram para contar sua história aos pretendentes, existe uma grande emoção em todo grupo. Cada criança que ganha uma família é um grande presente para nossa equipe.
Algumas famílias adotivas temem o retorno da família biológica. A senhora já viu isso?
Se o filho tiver maturidade e quiser conhecer seus pais de origem, é um direito que ele tem. Os pais adotivos não precisam ter medo, pois o vínculo afetivo é maior do que o sangüíneo. Que eu tenha conhecimento, a ocorrência desses casos é mínima. Se a adoção seguiu a via jurídica legal, a família biológica não sabe onde está a criança. Se a adoção for clandestina, a história é outra, correndo o risco de os pais consangüíneos vigiarem o filho.
Como se deve abordar a adoção com a criança?
Com naturalidade e simplicidade, sem derramar informações. A verdade irá crescendo com a criança, com a sua compreensão e elaboração psicológica. Cada um possui necessidades e um tempo de absorção. O ato de contar deve ser afetivo, sem medo e paciente. Sempre se restringir ao que a maturidade da criança apresenta condição de entender.
Crianças que foram adotadas apresentam mais problemas do que as crianças que nasceram criadas pelos pais consangüíneos?
Todas as crianças, independentemente de sua origem, podem ou não apresentar dificuldades, sejam comportamentais ou educacionais. Se olharmos “crianças problema”, encontraremos “pais problema”. Tudo depende de como se educa uma criança: com amor e limites

FONTE: site Adoção Consciente